Biografia:
José Antônio dos Santos (Zé Antônio) nasceu no povoado de Oiteiros, em Moita Bonita (SE), no dia 09 de agosto de 1955. Filho de Emeliano Antônio dos Santos e Maria Francisca dos Santos, pequenos agricultores. É professor de história da Rede Estadual de Ensino e militante dos Movimentos Sociais Populares. Já publicou mais de cem cordéis que se destacam por abordar uma temática histórica em métrica e rica. Em 2024, Zé Antônio foi homenageado no I Sarau de Poetas Populares da Biblioteca Pública Epiphanio Dória, pela sua dedicação à literatura de cordel.
Foi contemplado no programa BNB de Cultura do Banco do Nordeste, edição 2005, com os cordéis: O Guerreiro de Belo Monte, A História do Padre Cícero, O Santo Casamenteiro e a Revolta de Maricota, A Paixão de Cristo. Foi premiado em primeiro lugar no Prêmio Nacional de Literatura de Cordel, edição 2006, promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia com o cordel: O Bandido Cabeleira – O Autor de Luisinha. Tem proferido palestras e ministrado oficinas de literatura de cordel nas redes pública e particular de ensino. Sua obra já foi tema de monografia de curso de estudantes de jornalismo da UNIT, Roberta Carvalho de Santana e da estudante de letras da Faculdade de Ciências Humanas de Paripiranga (BA), Elenice de Santana Santos. Escreveu para a ADEMA, O monstro exterminador da nossa mãe natureza. É idealizador e membro fundador da ASCORESE – Associação dos Cordelistas e Repentistas de Sergipe.
Entre os cordéis publicados que se destacam está: A história Comentada da Literatura de Cordel, A História do Velho Chico no Reino da Natureza, A Súplica do Velho Chico, Lampião: O Guerreiro do Sertão, A vitória de Lula presidente do Brasil, Mandela, Geração Coca-Cola entre outros.
A história comentada da literatura de Cordel Ao escrever poesia O poeta popular Se inspira na Natureza Logo começa a rimar Da Formiga ao elefante Ele sabe versejar Somente quem tem o dom O dom de filosofar E sente o cheiro da terra Conhece a astronomia E voa até as estrelas Sabe escrever poesia Por isso, caro leitor Em versos vou rimar A poesia de cordel Em cordel vou comentar Onde se deu sua origem Vou logo lhe explicar. Na Europa Medieval Surgiram os menestréis Que eram os trovadores Poetas de carretéis Que prendiam seus poemas Pendurados em cordéis. Pois a palavra cordel Significa cordão O cordel era exposto No meio da multidão O trovador andarilho Fazia a recitação De poemas de bravezas Contando muitas “estórias” De encantadas princesas Com o príncipe valente Libertava sua alteza. Na Europa Medieval Se reunia a multidão De pessoas que saiam Para a peregrinação Rumo aos lugares “santos” Penitência de cristão De Provence, sul da França Iam para Jerusalém Da Lombardia (Itália) Pra Roma Saíam dizendo: amém! E o terceiro lugar Agora cito também. Saíam lá da Galícia, Rezando no breviário Na península Ibérica Para o grande santuário: -Santiago Compostela Seguindo o itinerário. O poeta andarilho Do povo seguia a pista E funcionava como Verdadeiro jornalista Poemas de aventuras Cantava como artista. Ai tem origem a Literatura popular Pro Brasil, os portugueses Trouxeram algum exemplar De geração a geração Passou a história a contar. Antes do folheto impresso Surgiram os trovadores; Violeiros repentista Que eram os cantadores Andavam de feira em feira Cantando lendas e louvores. Augustinho Nunes Batista (1797-1858) Lá da terra do Teixeira No estado da Paraíba Foi quem levantou bandeira Dos poetas cantadores Sua ação foi pioneira. Como quem diz o ditado: - “Filho de peixe, peixinho!” Nicandro e Ugulino Os filhos de Augustinho Abraçaram a viola Cantando ao som do pinho. Nicandro e Ugulino E o Bernado Nogurira, O Raimundo Manduri Vai formando a fileira Com Germano da Lagoa Lá na terra do Teixeira. Ainda Francisco Romano Cantando no meio da feira O Silvino Pirauá Como uma ave brejeira Que ficaram conhecidos Como o “Grupo do Teixeira” O Silvino Pirauá Teve a inspiração Da oralidade passou Logo para a Impressão Pra registrar nos folhetos Nossas coisas do Sertão. A literatura de cordel De forma fenomenal Teve como pioneiro Nesse Brasil tropical O Silvino Pirauá Lá de Patos (PB), natural. O Silvino Pirauá Do cordel foi pioneiro Leandro Gomes de Barros Segue o mesmo roteiro Do cordel foi o segundo Porém de fama o primeiro. Muito mais de mil obras Ele escreveu de cordel Leandro fazia o verso Como a abelha faz o mel Dentre todos os poetas Foi maestro e menestrel. O cordel que era escrito Para a simples distração Agora é politizado Faz reivindicação Denuncia as injustiças E o politico ladrão Em época de internet Tá mais fácil de viver Cordelista já acessa O cordel para vender Na rede da internet Para o cordel no morrer. Escrevi essa história Como abelha faz o mel Que os órgãos culturais Valorizem o cordel Esse é o apelo de todos Cordelista e menestrel. O poeta de cordel É reporte e jornalista Para ser um bom poeta Para ser bom cordelista Precisa claro evidência Se espelhar na ciência No planeta ser artista.